quarta-feira, 29 de agosto de 2007

um livro de ouro

Quando o blog surgiu soube que não era de bom tom deixá-lo carente de notícias e postagens regulares.
Bem, passaram-se já quase duas semanas desde que ele veio ao ar, numa lufada de inspiração e só hoje estou de volta!
Correndo o risco de cair no lugar comum confesso que a razão da ausência de notícias está nos dias corridíssimos.
tem horas que nem sei se corro atrás de alguma coisa ou de alguma coisa... as coisas poderiam estar correndo atrás de mim? Mas isso seria um tanto quanto paranóico...

De que coisas falo nesse momento, com que coisas me envolvo e às quais venho me dedicando ultimamente? No meio de todos os compromissos diários quase sem fim, consigo cavar um tempo para ler os livros que nunca se esgotam e saltam aos montes diante de mim, como se dançassem e me convidassem pra fazer par com eles, sedutores implacáveis que sempre me deixam com gosto de quero mais!

Hoje li boa parte de um livro sugerido pelo Marcus Quintaes, "O livro de ouro da psicanálise". Vale mesmo ouro, gente! Uma maravilha de compêndio que traz artigos de autores ligados aos gigantes da psicanálise: Freud, as always, inaugura o tomo; na sequência, e só pra não variar, Jung e toda a questão da dissidência que marca até os dias atuais sua teoria com a maldição de um selo anti-científico imposto pelo ranço daquele momento trágico e inaugural da psicologia analítica.

Vale muitíssimo à pena ler o artigo do Joel Birman refletindo sobre a dificuldade de suportar o outro, de verdade e em toda sua alteridade. O outro não cabe no restrito espaço do mesmo e isso dá panos para as mangas, como mostra Birman, tanto para os homens como para as teorias.

O artigo do Caio Liudvik também é excelente e põe uma lente muito viva e instigante no tema do volume 5 das obras completas de Jung: Simbolos e Transformação da Libido; diga-se de passagem o livro que marca o ponto-de-vista quantitativo em relação à libido, pivô teórico do dito rompimento com a psicanálise à época. Símbolos ganha, com o enfoque proposto por Liudvik, um apelo ainda mais convidativo à leitura ou releitura desse texto de valor histórico inestimável!

Mas tem outras coisas bem apetitosas também, se você puder vencer essa parte inicial: por exemplo, as partes do livro dedicadas à Klein e ao Lacan. Numa palavra: imperdível!

Eu poderia continuar discutindo muitos pontos polêmicos dessa breve postagem, como por exemplo, o conceito do que pode ou não ser considerado científico, se afinal ter um selo de ciência ou anticência é de fato algo tão ruim assim, etc, mas estou cansada e vou deixar essa para a próxima.

Até lá, fica como provocação de leitura para quem quiser dar uma olhada no livro.

Santina

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