quarta-feira, 1 de abril de 2009

Na Natureza Selvagem

No dia 24 de abril, uma sexta-feira, estarei no CEAF - Centro de Estudos e Assistência à Família (Alto da Lapa), compartilhando com os presentes minhas impressões a respeito desse tremendo mergulho que o personagem vive no filme, algo que me parece ter muito a ver com as idéias de Jung sobre Individuação, entre tantas outras coisas! A proposta do encontro não é didática, nem de reduzir o encanto da obra a esse ou aquele conceito, mas de troca de idéias!
O filme será apresentado às 19:00h, depois tem um break para o café e na sequência iniciamos a conversa! Para participar é necessário fazer a inscrição pelos telefones: 3022-9596; 3022-3840, a entrada é franca!
Sintam-se convidados!

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

jung na coleção "folha explica"

Essa coleção é bem bacana, embora os textos tenham caráter apenas introdutório.
Além do mais foi escrito pelo Tito Cavalcanti, analista com alma de poeta como bem cabe aos grandes analistas. Por isso tudo, inclusive pela proposta do livro - obviamente, acho que vale à pena conferir!

"A coleção 'Folha Explica' lança título que analisa o legado do suíço Carl Gustav Jung (1875-1961). Tito R. de A. Cavalcanti desmistifica as controvérsias em torno do autor que ainda é tido como "o lado B da psicologia das profundezas criada por Freud". Publifolha (tel. 0/xx/111/3224-2186). 96 págs., R$ 17,90." (publicado nesse domingo - 20/01/2008 - no Caderno Mais, da FSP)

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

um livro de ouro

Quando o blog surgiu soube que não era de bom tom deixá-lo carente de notícias e postagens regulares.
Bem, passaram-se já quase duas semanas desde que ele veio ao ar, numa lufada de inspiração e só hoje estou de volta!
Correndo o risco de cair no lugar comum confesso que a razão da ausência de notícias está nos dias corridíssimos.
tem horas que nem sei se corro atrás de alguma coisa ou de alguma coisa... as coisas poderiam estar correndo atrás de mim? Mas isso seria um tanto quanto paranóico...

De que coisas falo nesse momento, com que coisas me envolvo e às quais venho me dedicando ultimamente? No meio de todos os compromissos diários quase sem fim, consigo cavar um tempo para ler os livros que nunca se esgotam e saltam aos montes diante de mim, como se dançassem e me convidassem pra fazer par com eles, sedutores implacáveis que sempre me deixam com gosto de quero mais!

Hoje li boa parte de um livro sugerido pelo Marcus Quintaes, "O livro de ouro da psicanálise". Vale mesmo ouro, gente! Uma maravilha de compêndio que traz artigos de autores ligados aos gigantes da psicanálise: Freud, as always, inaugura o tomo; na sequência, e só pra não variar, Jung e toda a questão da dissidência que marca até os dias atuais sua teoria com a maldição de um selo anti-científico imposto pelo ranço daquele momento trágico e inaugural da psicologia analítica.

Vale muitíssimo à pena ler o artigo do Joel Birman refletindo sobre a dificuldade de suportar o outro, de verdade e em toda sua alteridade. O outro não cabe no restrito espaço do mesmo e isso dá panos para as mangas, como mostra Birman, tanto para os homens como para as teorias.

O artigo do Caio Liudvik também é excelente e põe uma lente muito viva e instigante no tema do volume 5 das obras completas de Jung: Simbolos e Transformação da Libido; diga-se de passagem o livro que marca o ponto-de-vista quantitativo em relação à libido, pivô teórico do dito rompimento com a psicanálise à época. Símbolos ganha, com o enfoque proposto por Liudvik, um apelo ainda mais convidativo à leitura ou releitura desse texto de valor histórico inestimável!

Mas tem outras coisas bem apetitosas também, se você puder vencer essa parte inicial: por exemplo, as partes do livro dedicadas à Klein e ao Lacan. Numa palavra: imperdível!

Eu poderia continuar discutindo muitos pontos polêmicos dessa breve postagem, como por exemplo, o conceito do que pode ou não ser considerado científico, se afinal ter um selo de ciência ou anticência é de fato algo tão ruim assim, etc, mas estou cansada e vou deixar essa para a próxima.

Até lá, fica como provocação de leitura para quem quiser dar uma olhada no livro.

Santina

domingo, 19 de agosto de 2007

Professora, você acredita no jung?

Na fila do banco um aluno solta essa frase num tom levemente irônico. "Professora, você acredita no jung?" Respondo, de pronto, "claro que não!". Ele fica levemente desconcertado, talvez pela prontidão de minha resposta, talvez pelo conteúdo que possivelmente despertou nele alguma dúvida! Assim espero!

Brinquei com o aluno, na sequência, dizendo "você não assistiu minha aula ontem?". Eu falei justamente porque não acreditar em jung ou qualquer outra coisa, considerando os perigos desse verbo "acreditar". O próprio jung sugeriu que não acreditava em deus ou na morte, libertando-se do peso de significados unilaterais que a crença pode trazer - numa célebre entrevista dada ao jornalista john freeman, da BBC de Londres, na década de 60.

Não gosto dessa entrevista, vou logo avisando. Na verdade, não gosto do tom especulativo adotado pelo jornalista, sempre às voltas com uma necessidade de fofocar sobre a relação de jung com freud, e com pouco jogo de cintura para embarcar nas idéias que jung trazia à tona na entrevista. Mas é um jeito de ver o autor "alive and kicking" como se diz, então, lá vamos nós! Serve para se ter uma noção do tom de voz de jung, de seu bom humor e acima de tudo, da cara dele, no caso daqueles que nunca viram seu rosto, o que não é pouco! Por trás do autor, o homem! Costuma ser isso o que mais agrada aos alunos quando apresento o filme logo no início do semestre do curso de psicologia analítica. Ao final da exibição eles comentam, aliviados "puxa, que legal ver que esses caras também são gente!".

Então, esse blog surgiu de meu desejo de falar de muitos de meus interesses em torno do pensamento de jung, aquele psiquiatra suiço comumente identificado com freud, com a nova era, com o esoterismo, o misticismo e muitos outros "ismos", do qual muito se fala, bem ou mal.

O blog não tem nenhum compromisso com instituições ou identificações profissionais, apenas com idéias suscitadas no de meu dia-a-dia de psicoterapeuta-analista-professora-supervisora-pesquisadora às voltas com as idéias e a prática da psicologia analítica, essa área da psicologia da qual mais me aproximo desde o início de minha formação até os dias atuais. Na verdade, quero muito ouvir o que as pessoas têm a dizer das coisas que vou escrever aqui, então, esse espaço não tem um compromisso tão egocêntrico assim!

Aos pouco atentos, notem que me referi ao "jung yellow" como "esse blog", ou "O Blog", não como "Meu blog", porque acreditem, o blog não é meu! Certamente meus parceiros do Himma entenderão o que estou dizendo, e espero que com o tempo, isso fique mais claro também para aqueles que estão lendo essa afirmação pela primeira vez! Tem a ver com poder sentir-se livre para escrever o que se pensa desvencilhando-se de algumas, mas não todas, as identificações que o bom e velho ego oferecem na base da "minha" personalidade. Então, com pouca modéstia, mas não falsa, vou escrever em nome de meus heterônimos, como fez o grande fernando pessoa. By the way, todos os nomes próprios aqui aparecem em letras minúsculas, porque faz bem esvaziar a pompa associada a esses grandes autores, quero mesmo poder falar de todos eles como se eles fossem qualquer um, pra não me sentir intimidada, em minha pequenez santiniana...

Ah, antes que alguém pergunte sobre o nome do blog "jung yellow", tem literalmente a ver com a cor amarela.
Não gosto dessa cor, prefiro azul, rosa, vermelho, mas yellow pode ser ouvido de pelo menos dois modos distintos: no sentido semântico, como versão inglesa da palavra amarelo; e no sentido fonético, como um "hello" que quero usar como "mote" pra trocar idéias.

Esse jung amarelo, amarelecido, amarelado, brilhante por tantos lados, para mim é só uma imagem. Tem pouco a ver com o C.G. Jung pessoa física ou jurídica das instituições. É uma imago poderosa que inspira em mim muitos insights, elogios, fantasias e por que não dizer, para ser obediente ao mestre, algumas críticas. Daí o amarelo tem mais a ver com o sentido dado a essa cor na alquimia (citrinitas), ou seja, o amarelo que tira a brancura daquele estado de fé ou credo que toma conta de muita gente que se aproxima de um autor, sobretudo pela primeira vez. Puxa, voltamos ao credo, crença ou fé do início dessa mensagem, vocês lembram?